Pinguins-de-magalhães nas praias paulistas: de onde eles vêm?

Quem vive no litoral de São Paulo deve ter percebido que os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) estão sendo avistados em muitas praias paulistas, de norte a sul do Estado. Só ontem aqui no Canto do Forte (Praia Grande, SP) avistamos três indivíduos no mar, próximos das ondas. Essa chegada estimula nossa curiosidade sobre o mundo natural e uma das perguntas é: de onde eles estão vindo?

Sabemos que partem do sul do continente americano, possivelmente na costa Argentina (embora existam colônias nas Ilhas Malvinas/Argentina e Chile). As paisagens patagônicas da Província Chubut abrigam uma fauna espetacular e uma das áreas habitadas pelos pinguins é a costa de Punta Tombo (figuras 1 a 4).

Figura 1. Vídeo produzido pela Marina Leite para o VIVA Instituto Verde Azul (2018)

A colônia ali estabelecida pode chegar a abrigar milhares de indivíduos, que começam a chegar nas praias de lá no final de agosto. Primeiro chegam os machos e depois as fêmeas, ocupando muitas vezes os mesmos ninhos construídas em temporadas anteriores.

Figura 1. Estepe patagônica. Punta Tombo, Chubut, Argentina.

A colônia ali estabelecida pode chegar a abrigar milhares de indivíduos (fig.5), que começam a chegar nas praias de lá no final de agosto. Primeiro chegam os machos e depois as fêmeas, ocupando muitas vezes os mesmos ninhos construídas em temporadas anteriores.

Figura 5: Casais nos ninhos.

Como é possível ver pelos registros fotográficos que fizemos naquela região em 2018, muitos ninhos ficam distantes das praias (alguns até 800 metros), no meio da estepe patagônica, sob temperaturas que chegam a mais de 30 C no verão (muito diferente da visão que podemos ter de que os todos os pinguins vivem em regiões polares e muito frias).

As fêmeas botam até dois ovos no início de outubro e a incubação dura em torno de 40 dias. Tanto os ovos quanto os filhotes são cuidados pelo casal (figs. 6 a 8).

Figura 8. Adulto cuidando de filhote.

Ao adquirirem experiência e autonomia, iniciam sua busca de alimento no mar.

Sendo assim, essa espécie é uma visitante durante o nosso inverno. Muitos dos indivíduos que são encontrados nas praias ou próximas delas provavelmente são jovens e podem estar cansados ou debilitados.


É possível ajudar? A recomendação é ligar para 0800 642 3341 (Programa de Monitoramento das Praias) ou 199 (Guarda Civil Municipal). Enquanto o resgate não chega, é importante tentar manter as pessoas afastadas, improvisar uma sombra e fazer silêncio. Com essas simples atitudes, aumenta-se a sobrevivência dessa espécie durante as extensas viagens.


Referências bibliográficas
Bolzón, M.L. Patagonia y Antártida. Vida y Color. M.L. Bolzón Ed.,2018
Ridgley, R.S. et al. Aves do Brasil. Ed. Horizonte, 2015.
Martínez, I., D. A. Christie, F. Jutglar, E.F.J. Garcia, and G. M. Kirwan (2020). Magellanic Penguin (Spheniscus magellanicus), version 1.0. In Birds of the World (J. del Hoyo, A. Elliott, J. Sargatal, D. A. Christie, and E. de Juana, Editors). Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, NY, USA.

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