[Projeto Trinta-réis] #1 – O que nos levou a estudá-los?

Há exatamente um ano começamos nossa história com um grupo de aves incríveis que ocorrem em nossa região: os trinta-réis. Por aqui, as espécies que habitam frequentemente as áreas costeiras de Praia Grande são os trinta-réis-reais (Thalasseus maximus) e trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus). As duas fazem parte de um grupo de seis espécies de aves marinhas que se reproduzem em São Paulo e estão ameaçadas de extinção no estado (SÃO PAULO, 2018), sendo que o trinta-réis-real também encontra-se ameaçado nacionalmente (BRASIL, 2014).

Como pesquisas necessárias, o ICMBio (2018) aconselha a realização de censos contínuos nas áreas de ocorrência no Brasil, com o objetivo de identificar mudanças na distribuição e abundância, além de conduzir estudos demográficos de longo prazo nas colônias de São Paulo. São consideradas espécies sensíveis, tanto devido ao grau de ameaça quanto ao fato de serem extremamente seletivas na colonização de sítios reprodutivos, que se localizam entre Santos e Peruíbe (FLORESTAL, 2019).

Parque Estadual Xixová-Japuí (vista do Canto do Forte, Praia Grande).

Durante esse tempo, nossas observações foram focadas na praia do Canto do Forte, em Praia Grande, numa região de aproximadamente 200 metros de extensão, sem acesso ao público e que atualmente é de uso das Forças Armadas. Essa área faz parte do Parque Estadual Xixová-Japuí, uma das únicas unidades de conservação entre os municípios de São Vicente e Praia Grande que protege as praias arenosas, costões, porções marinhas próximas. Grande parte dessas áreas têm sido utilizada por ambas espécies como locais de alimentação e descanso durante todo o ano (COSTA, 2014), sendo observadas em bandos mistos com gaivotões (Larus dominicanus), composto por até 500 indivíduos (MOTTA, 2020).

Bando composto por trinta-réis-real, trinta-réis-de-bando e gaivotões.

Sendo assim, é de extrema importância conhecer a dinâmica sazonal da espécie no Parque Estadual Xixová-Japuí e área de entorno, além de reconhecer o parque como importante local para a conservação as aves marinhas costeiras no litoral de São Paulo. A equipe do parque vem realizando um trabalho muito consistente de fiscalização e fomento às atividades de educação e pesquisa, nos apoiando e incentivando a escrever um projeto que pudesse auxiliar na conservação das aves marinhas e costeiras. Por isso, encaminhamos nosso projeto para o Instituto Florestal de São Paulo, que recentemente o aprovou para que possamos iniciar nossas observações em outras áreas do parque e entender a dinâmica das espécies na região.

Identidade visual do projeto

No próximo post, vamos contar como faremos a pesquisa. Aguardem!


Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Portaria nº 444 de 17 de dezembro de 2014 reconhece a lista nacional oficial de fauna ameaçada de extinção. D.O.U., nº 245, p. 121-126, em 18.12.2014.

COSTA, Vítor Toguchi. Ocorrência e sazonalidade de espécies de trinta-réis na praia de paranapuã – Parque Estadual Xixová-Japuí, São Vicente, SP. 2014. 25 f. TCC (Graduação) – Curso de Ciências Biológicas, Universidade Estadual Paulista, São Vicente, 2014.

FLORESTAL, Fundação. Plano de Manejo APA Marinha Litoral Centro. Avifauna. Diagnóstico Técnico – Produto 2. Meio Biótico. São Paulo: Imprensa Oficial. 2019. 39 f. Disponível em: https://www.sigam.ambiente.sp.gov.br/sigam3/Repositorio/511/Documentos/APAM_LC/2019.02.26_Plano_Manejo_APAMLC.pdf. Acesso em: 02 fev. 2020.

ICMBio, Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Volume III – Aves. 1. ed. Brasília: ICMBio/MMA, 2018, 712 p.

MOTTA, M.. Ebird Lista S70179425. 2020. Disponível em: https://ebird.org/checklist/S70179425 . Acesso em: 06 jun. 2020.

SÃO PAULO, (Estado). Decreto nº 63.853, de 27 de novembro de 2018. Declara as espécies da fauna silvestre no Estado de São Paulo regionalmente extintas, as ameaçadas de extinção, as quase ameaçadas e as com dados insuficientes para avaliação, e dá providências correlatas. D.O., nº 220, v.128, p.1, 28.11.2018.

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