Os interessantes comportamentos reprodutivos dos trinta-réis-reais

Registramos, aqui no Canto do Forte (Praia Grande, SP), alguns comportamentos dos trinta-réis-reais (Thalasseus maximus) relacionados à reprodução. A observação do comportamento é muito importante, pois esta nos auxilia na identificação desse período tão importante do ciclo de vida.

Os trinta-réis estão entre as mais aéreas das aves marinhas, unindo-se aos petréis, fragatas e grazinas. Assim, apresentam parte dos comportamentos reprodutivos no ar, como por exemplo o chamado de “voo baixo”. Considerado um dos primeiros estágios da seleção de par, o macho voa baixo sobre a colônia, frequentemente carregando peixe, enquanto outros indivíduos (geralmente fêmeas) o perseguem vocalizando e dando encontrões para se aproximar dele (fig.1 e 2).

Figura 1. Voo baixo, com a presença de três indivíduos.
Figura 2. Provável macho com peixe recém-pescado no bico.

Quando chega o momento da escolha de pares, machos carregam peixes e executam comportamentos no chão com potenciais parceiras, usando os peixes para atrair fêmeas para seus territórios (fig.3). Dessa forma, o casal vai se consolidando e permanecendo cada vez mais unidos, podendo executar outros comportamentos aéreos, como o chamado “voo alto“, onde apenas o casal ascendem num voo conjunto em espiral, até o momento que descem sincronizados numa curva mais suave (comportamento ainda não observado em nosso monitoramento).

Figura 3. Casal no solo, iniciando a oferta de peixe do macho para a fêmea.

Posteriormente, o par caminha ao redor um outro (comportamento conhecido como desfile), ainda cautelosos e sem muita aproximação. Algumas vezes, o macho interrompe o comportamento e bica a fêmea, que voa para longe ou apresenta um comportamento para diminuir a agressividade do macho (ereta, fig.4).

Figura 4. Postura ereta em trinta-réis-real (Thalasseus maximus)

Essas agressões vão diminuindo gradualmente, até que ambos toleram integralmente a presença próxima um do outro (postura ereta de ambos). O casal raramente se toca, exceto quando copulam (fig.5) ou trocam de lugar durante a incubação dos ovos.

Figura 5. Cópula entre indivíduos de T. maximus.

Esperamos para as próximas semanas e meses o surgimento dos juvenis no bando estabelecido na região.


Referência bibliográfica
Cabot, D. & Nisbet, I. Terns. Collins, 2013.

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